Crescimento irregular: ameaça perigosa

O senso do IBGE de 2010 mostrou que faltava pouco para que a população de São Sebastião chegasse a 74 mil habitantes em uma área territorial de cerca de 400 km2. Considerada estância balneária por cumprir alguns pré-requisitos, o município está entre os quinze que recebem uma verba maior do Estado para o fomento do turismo regional. Com todo espaço territorial, versus o número de indivíduos, a densidade demográfica no local é de 184 habitantes por quilômetro quadrado, ainda segundo o IBGE.

É espaço que não acaba mais para um tantinho de gente e dinheiro também. É no canal de São Sebastião que se localiza o maior oleoduto da Petrobrás responsável por 80% (pasmem) do petróleo e derivados exportados pelo país. O governador Geraldo Alckmin liberou, recentemente, R$ 1,5 milhão para dar uma solução nos estragos causados pelas chuvas do período. No final de março, as chuvas novamente castigaram a região e o governador visitou novamente a região de Maresias e Boiçucanga e, dessa vez, anunciou o repasse de R$ 7,5 milhões vindos do DADE ( Departamento de Apoio ao Desenvolvimento das Estâncias) para a reconstrução dos bairros atingidos.

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Há pelo menos duas décadas, alguns bairros de São Sebastião, em especial a tríade Camburi-Boiçucanga-Maresias recebe novos moradores. Alguns escolhem as estâncias porque condicionam o cidadão a uma vida tranquila, diferente do agito dos grandes centros. Outros, a maioria deles, vêm em busca de trabalho e de uma oportunidade de se estabelecer em um pedaço de chão que não custe muito – ou que não custe nada – a não ser algum tempo depois, quando a Natureza se encarregar de fazer a parte dela. Dados de 2011 da Agência Estado apontam que no primeiro semestre daquele ano, dois barracos de madeira eram levantados a cada fim de semana – foram 81 ocorrências relacionadas à invasão, sendo 47 delas em áreas permanentes de preservação.

Esse tipo de ação desencadeia incontáveis prejuízos ao meio ambiente e a comunidade nativa, que muitas vezes se vê obrigada a suportar os desmandos de grandes corporações em nome de um progresso ardiloso, perigoso, com pacotes de vantagens endereçados a poucos. A fórmula é simples: aplicar a Lei igualmente a todos os cidadãos – com transparência e responsabilidade.

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Áreas de riscos como as costeiras das montanhas, morros e áreas de córregos, mangues, rios e cachoeiras, devem ser preservadas e jamais ocupadas. E os programas populares habitacionais são projetos a ser cumpridos pelo Estado, com ajuda de parcerias sérias visando o desenvolvimento humano. A moradia irregular é um problema que vem se agravando porque os governos quem entram e saem,  tratam o assunto superficialmente porque por trás dessa dinâmica existe interesses de maus governantes que vivem de política, protegidos por algumas centenas de votos equivocados nas urnas.

O sertão vai virar mar (de lama)

A estação mais charmosa do ano, o Outono, entrou no dia 20 de março, às 08h09 – com muita água. Por aqui, a polêmica de calçamento das ruas nas áreas sertanejas da região parece que vai continuar ainda por muito tempo. Essa Página, na condição de uma voz intermediária entre as necessidades da população e os deveres do Poder Público, está empenhada em divulgar as dificuldades pelas quais o cidadão convive diariamente. Crianças e jovens penam à beça para se deslocarem até a escola e voltar para casa. Não é menor o sofrimento dos adultos, principalmente daqueles que dependem do transporte público e de outros serviços de responsabilidade do Estado.

Olha só como está a Estrada Rio das Pedras na altura do número 500. A população espera que as ruas sejam transitáveis não apenas nos períodos que o município recebe o turista, afinal, quem vota nos candidatos a Vereadores e Prefeito são os moradores locais – e aqueles que ainda não transferiram os seus títulos é porque ainda acreditam na boa vontade dos candidatos a cargos públicos. O eleitorado está aprendendo a escolher melhor a cada eleição, é bom não se esquecer disso.

Na foto, o garoto Matheus aguarda a sua carona para ir para a escola

Na foto, o garoto Matheus aguarda a sua carona para ir para a escola

Galocha e guarda-chuva

Mais de 48 horas de chuvas ininterruptas dá comichão em qualquer alma. O chão encharca, as paredes esfriam e da vegetação caem doses generosas de água retida na queda. É tanta água que alguns verdugos não resistem.

Para se deslocar com segurança, o ideal é se calçar com galochas, vestir roupas impermeáveis, se proteger com guarda-chuva e disposição, como fêz Paulo Carvalho, aí na foto.

Só não vale reclamar que a roupa ficou respingada de lama.

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Barreiras despencam na Rio-Santos

E ai, sem novidades, o leitor já deve ter lido nos jornais e na Rede, também viu nas reportagens de TVs,  – eu soube até que foi pauta (pasmei) no programa da Ana Maria Braga de hoje, segunda-feira, dia 18 de março. O Governador Geraldo Alkmin vai voar de helicóptero até aqui, de novo, para avaliar o estrago, em reunião com o prefeito de São Sebastião, Ernane Primazzi.

Falando no prefeito, a manchete do Imprensa Livre, edição de 16 e 17 de março de 2013, informa que o juiz eleitoral Guilherme Kirschner julgou procedente o pedido de cassação do seu mandato por captação ilícita de sufrágio. Em palavras mais diretas, há uma suposta doação de área da região, em troca de votos, durante um comício que aconteceu em Maresias, um julho de 2012.

O triste mesmo é fazer cara de paisagem em meio a uma questão muito séria e crônica nesse país. Estamos cansados de ver coisas desse tipo. Prefeitos irresponsáveis barganham terras com a transferência de pessoas de outros lugares como se fossem cabeças de gados. Enxergam centenas de títulos de eleitor, e então está formado o curral-eleitoral. Fazem vistas grossas às ocupações irregulares como as próximas de rios e encostas e depois, é só esperar a próxima estação de chuvas e assistir a história se repetir.

Enquanto o imbróglio não se desfaz e o eleitor continua sem uma representação que faça valer o voto dado, o Fala Sertão registrou um pouco da situação de como ficou por aqui, depois de cerca de 72 horas de chuvas intermitentes. E ainda tem turista tentando chegar em São Paulo.

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A maioria das pessoas, certamente, quer soluções responsáveis e que sejam totalmente voltadas para o bem-estar da comunidade local, da sociedade em geral e, acima de tudo, com o máximo de respeito à Natureza.

8 de Março no Sertão

A população do local vive seus dias de um modo simples e harmonioso – se conhecem, se ajudam nas horas difíceis e se protegem uns aos outros quando algum espírito de porco resolve aprontar por essas bandas. Repartem alegrias também e as mães, responsáveis principais pela educação dos filhos, usam a bicicleta como veículo principal no transporte dos menores. Os grandinhos aguardam nos pontos, o ônibus que luta para manter a pontualidade muitas vezes quebrada por conta dos estragos causados pelas chuvas e pela manutenção escassa.

Dia 8 de Março é comemorado no mundo todo como o Dia Internacional da Mulher – e eu ainda não sei se as mulheres do Sertão de Camburi têm algo a comemorar. A maioria delas presta serviços nas casas de veranistas, mas a demanda não é suficiente – tem muita mulher que procura colocação no mercado. Aquelas com um pouco mais de capacitação técnica buscam trabalhos no comércio, restaurantes e afins, mas muita coisa ainda tem que ser feita para que a comemoração dessa data seja, de verdade, uma celebração.

A todas as guerreiras, mães, avós, mulheres casadas, solteiras, mulheres que lutam por um mundo melhor e mais justo, essa Página parabeniza a todas vocês por mais esse dia!

Adriana leva o filho caçula Vandervique para o seu 1º dia na escola local

Adriana leva de bicicleta, o filho caçula Vandervique para o seu 1º dia na escola local